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07/05/2014 08:26 - Atualizado em 07/05/2014 15:33

Projeto do Município beneficia agricultores familiares

Um protótipo lançado pela Prefeitura de Uberlândia, criado pelo Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae), é uma das novidades da 44ª Assembleia da Assemae. Trata-se de uma fossa séptica artesanal, feita a partir de pneus usados de caminhão – da frota do próprio Dmae e da Prefeitura de Uberlândia - que em breve serão instaladas em propriedades rurais que praticam a agricultura familiar. Os agricultores beneficiados estão sendo selecionados pela Secretaria de Agropecuária e Abastecimento entre os assentados da reforma agrária.

A coleta e tratamento dos efluentes nas propriedades rurais é um problema que o Brasil está longe de resolver. O esgoto doméstico em geral é encaminhado para fossas negras que não dão tratamento ao efluente, contaminando o solo e, por vezes, atingindo os aquíferos, ou correndo a céu aberto, comprometendo a saúde de crianças e animais.

O gerente ambiental Leocádio Pereira explica que caberá aos produtores a instalação e operação das fossas. “Iremos capacitar o agricultor para que ele aprenda a instalar e operar as fossas. Além disso, é importante que ele conheça os benefícios do tratamento do esgoto”, disse.

A fossa séptica feita de pneus está sendo lançada na 44ª Assembleia da Assemae em função de seu aspecto sustentável – do ponto de vista ecológico e também econômico -, pois seu custo é bem inferior aos modelos vendidos no mercado. O kit criado pelo Dmae terá um custo aproximado de R$ 500, enquanto uma fossa de fibra de vidro é vendida hoje no comércio por valores próximos a R$ 1.800.

Orlando Resende, diretor geral do Dmae, explica que a contaminação da água pelas fossas negras é uma situação que o Brasil ainda não solucionou e que se repete na zona rural de Uberlândia.  “Entendemos que o morador da zona rural possui os mesmos direitos ao saneamento que o morador da zona urbana, em nosso município. Precisamos eliminar as fossas negras, pois elas são fonte de contaminação dos lençóis subterrâneos e um meio propagador de doenças”, ressalta.

Segundo a secretária de Agropecuária, Vanessa Petrelli, a fossa negra é predominante nos assentamentos. “Em dois deles, Nova Tangará e Dom José mauro, de um total de 455 famílias, apenas quatro têm fossa séptica”. Petrelli informa ainda que para ter acesso ao benefício, as famílias, além de entrar com a mão de obra de instalação, têm que se comprometer a manter uma horta em seus quintais. “Queremos incentivar as famílias a cultivarem os seus alimentos e não somente as lavouras perenes, caso das frutíferas”, explicou.

A tecnologia desenvolvida pelo Dmae ficará à disposição de qualquer produtor que quiser implantá-la em sua propriedade. “Qualquer agricultor poderá ter acesso aos manuais de instrução e nossos técnicos estarão disponíveis para esclarecer qualquer dúvida sobre a sua operação e desempenho”, assegurou o diretor Orlando Resende.

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